Estudo. Discriminação de professores denunciada por um em três alunos estrangeiros

Um terço dos 1400 estudantes de nove escolas auscultados num estudo da Universidade Nova sente-se discriminado. Números revelados pelo Diário de Notícias.

RTP /
Nuno Patrício - RTP

Um em cada três alunos estrangeiros ou de origem imigrante já sentiu discriminação em ambiente escolar em Portugal. A maior parte aponta comportamentos de colegas, mas há também queixas relativas a professores. Os dados foram coligidos num estudo da Universidade Nova conhecido esta quarta-feira.

Este trabalho do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS) da Nova contou com a colaboração da EPIS – Empresários pela Inclusão Social e envolveu “mais de 1.400 participantes, entre alunos, professores, diretores e assistentes operacionais”, lê-se nas páginas do Diário de Notícias.

Entre o universo dos alunos inquiridos, 55,7 por cento dizem ter já sentido discriminação em ambiente escolar. Esta perceção cresce para os 70,6 por cento nos alunos de primeira geração de origem imigrante.

“A maioria das situações de discriminação reportadas envolve interações entre alunos (46,6 por cento), mas, embora menos frequentes, os casos em que estão envolvidos professores fixam-se nos 35 por cento e, em menor proporção, assistentes operacionais (10,9 por cento)”, escreve o jornal.De acordo com as conclusões do estudo Inclusão ou discriminação? Da análise dos resultados escolares às estratégias para o sucesso dos alunos com origem imigrantes, a cor da pele o território de origem ou mesmo a aparência física estarão na base da discriminação.

As alegadas ações de discriminação por parte de docentes “prendem-se mais com o território de origem (15 por cento), a cor da pele (14,7 por cento) e o tratamento diferenciado/exclusão (12,5 por cento), sendo que os demais motivos considerados, no seu conjunto, pesam pouco mais de 22 por cento”.

O estudo mostra também que o número de alunos que optam por não revelar detalhes supera os 38 por cento.

“A maioria dos estudantes que dizem ter sido discriminados por professores indicam que foi algumas vezes (28 por cento) e muito poucos relatam que os professores os discriminaram muitas vezes (4,3 por cento) ou quase todos os dias (1,9 por cento)”, adianta o jornal.

Sílvia Almeida, do CICS e Centro de Investigação Interdisciplinar em Educação da Universidade Nova de Lisboa, afirma, ouvida pelo DN, que as conclusões do estudo “são preocupantes”, uma vez que estarão até subestimadas.

“Denunciar atos de discriminação é frequentemente um processo emocionalmente difícil, especialmente quando se trata de uma população jovem”, sublinha a responsável.
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